segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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          Com quase 17 mil quilômetros de limites, 11 estados, 588 municípios com fronteiras internacionais e mais de 10 milhões de pessoas nessas regiões, o tema da segurança deveria merecer a melhor das preocupações dos poderes públicos. Não é o que parece.
          Muitos dos problemas internos do país decorrem da precária segurança de nossas fronteiras, que são transpostas constantemente por traficantes de drogas e de armas, bem como por narcoguerrilheiros ligados a movimentos terroristas de alguns países vizinhos.
          Mesmo com a ausência de recursos adequados, nossas Forças Armadas e a Polícia Federal fazem o que podem para evitar invasões e incursões em nosso território. No Paraná, por exemplo, são pouco mais de 250 policiais para cuidar da questão.
          Por conta do tráfico de drogas e do contrabando, a fronteira sul é considerada prioritária para o governo brasileiro. De certa forma, é um erro privilegiar apenas essa região.
          Longe do interesse da mídia e nos confins da selva, já ocorreram entreveros com mortes em muitos pontos de nossas fronteiras, por conta da ação de guerrilheiros e de traficantes que tentam entrar em nossas terras para comprar ou vender.
          Em julho, o governo federal lançou um plano estratégico para combater o problema. O plano integra esforços das polícias estaduais, da Polícia Federal e das Forças Armadas. Os resultados, em pouco mais de três meses de operação, foram considerados bons.
          Duas operações em curso, uma da PF (Operação Ágata) e outra das Forças Armadas (Operação Sentinela), apreenderam 650 quilos de armas e explosivos, além de 62 toneladas de drogas. Pistas clandestinas foram destruídas na Amazônia e um garimpo ilegal foi desativado.
          Ainda que expressivo, o saldo dessas operações está longe de reduzir significativamente os riscos. Os investimentos em equipamentos e, sobretudo, inteligência devem ser reforçados. O papel do SIVAM deve ser ampliado, talvez com a criação de um projeto voltado para a região costeira e outro para as fronteiras do Sudeste e do Sul do Brasil.
          São louváveis o interesse e o esforço do governo em cuidar da questão. Porém, estamos longe de tratar da nossa segurança com a devida prioridade. Estamos, ainda, na fase de “enxugar gelo”. O que não resultará na reversão dos problemas para níveis insignificantes.
          Outro ponto é que as preocupações não estão voltadas para as ações de grupos terroristas que transitam nas cercanias de nossas fronteiras e, muitas vezes, penetram em nosso território. A questão vai mais longe, pois se liga diretamente a diversas tragédias sociais. Há indícios, apontados constantemente por estudos e especialistas, de vínculos fortes entre as FARC, grupo narcotraficante colombiano, com o fornecimento de drogas para organizações criminosas no Brasil.
          Isso se apresenta como um fator claro de risco para o país e para o funcionamento de grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas. Ora, se a batalha contra o crime organizado no Rio de Janeiro é uma questão-chave para a existência de grandes eventos, logo, a fonte que abastece esse crime organizado deve ser tratada como tal.
          Aliás, qualquer tema que pode representar risco potencial para a segurança do país deve ser tratado em regime de “urgência urgentíssima”, uma espécie de “fast-track” dos assuntos prioritários analisados pelos poderes da República. Só assim poderão surgir respostas coerentes para o tamanho do desafio que temos pela frente.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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A   ENAP (Escola Nacional de Administração Pública) promove, há 15 anos, o Concurso Inovação na Gestão Pública Federal como um estímulo à disseminação de soluções inovadoras em organizações do Governo Federal.  O concurso trata de premiar as iniciativas inovadoras de gestão nos órgãos públicos, contribuindo para que o Estado brasileiro aumente a qualidade do atendimento e melhore a eficácia e eficiência dos serviços ofertados aos cidadãos.

Na edição 2011, 16º Concurso Inovação, foram inscritas 111 (cento e onze) iniciativas válidas. A Polícia Federal, por meio da Coordenação de Recrutamento e Seleção – COREC/DGP/DPF – promoveu a inscrição do Sistema de Prospecção e Análise de Desvios em Exames (Provas Objetivas) – SPADE-PRO, idealizado e criado pelo Agente de Polícia Federal Cássio de Oliveira, lotado na COREC/DGP/DPF e desenvolvido pelo Escrivão de Polícia Federal Rafael Vieira de Melo Lima, lotado na superintendência do Pará.

A utilização da metodologia e do algoritmo criados pelo APF Cássio possibilitou a detecção e identificação dos candidatos suspeitos de terem cometido fraudes no concurso para provimento no cargo de Agente de Polícia Federal, regido pelo Edital n° 15/2009-DGP/DPF, de 15 de julho de 2009.

As suspeitas detectadas foram confirmadas nas investigações realizadas pela Operação Tormenta, o que contribuiu para a prisão dos membros da organização criminosa que fraudava concursos, exames da Ordem e exames para ingresso na Residência Médica há, pelo menos, 17 (dezessete) anos.

A partir dessa investigação foi possível, também, a produção de provas para a exclusão dos candidatos que fraudaram concursos da Polícia Federal, Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, Agência Brasileira de Inteligência – ABIN, dentre outros ainda em apuração.

Com base no trabalho desenvolvido pelo APF Cássio, o EPF Rafael desenvolveu o sistema SPADE-PRO, possibilitando maior capacidade de cruzamento de dados, velocidade, maior segurança e confiabilidade, assim como a utilização do sistema por servidores sem a necessidade de conhecimentos específicos.

No dia 11 de outubro de 2011, com a presença do Diretor de Gestão de Pessoal da Polícia Federal, Delegado de Polícia Federal Maurício Leite Valeixo, foi realizada a visita in loco do comitê técnico, que conheceu o sistema SPADE-PRO. O Comitê Julgador irá avaliar e premiar as iniciativas com base no relatório promovido pelo comitê técnico.

Independente do resultado do concurso, a COREC/DGP/DPF parabeniza o APF CÁSSIO e o EPF RAFAEL pela iniciativa inovadora e agradece pela brilhante contribuição para o aumento no controle do processo de Recrutamento e Seleção da Polícia Federal.

A iniciativa foi selecionada entre as vinte finalistas do 16º Concurso Inovação. Confiram  no endereço htttp://www.enap.gov.br/files/20_finalistas_16.pdf

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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Áudios divulgados pela polícia mostram o estilo de vida luxuoso que os membros de quadrilha de agiotas desbaratada nesta quinta-feira tinha. Em uma conversa interceptada pela equipe de investigação da Polícia Civil, o acusado de liderar o grupo, Clenílson Gomes, fala com um corretor sobre seus bens. “Eu estou com sítio, lancha e uns carros aí”, afirmou. Em outro áudio, um agiota pressiona a vítima, que afirma não ter pagado os valores cobrados devido a internação hospitalar do filho.

Nesta sexta-feira, a Polícia Civil localizou mais 10 escritórios, no Estado do Rio, do grupo de agiotagem desarticulado na Operação Shylock, realizada quinta-feira. Ao todo foram contabilizados 60 espaços comerciais, sendo que um deles funcionava como a ‘sala do medo’, usada para cobranças e ameaças e revestida com material especial para abafar o som dos gritos. O bando já é considerado a maior quadrilha de agiotas do estado.

Com o aumento da quantidade de salas, a polícia acredita que a movimentação financeira da quadrilha seja maior. “Contabilizávamos R$ 1 milhão por mês, quando só sabíamos de 15 escritórios. Agora, a tendência é que o valor suba, mas não temos o total”, disse o delegado da 19ª DP (Tijuca), Leonardo Luís Macharet.

Ele apresentou a quantia de R$ 1 milhão encontrada embaixo da cama de Clenilson Gomes, apontado como líder da quadrilha. Ele foi preso em um apartamento na Barra. Mesmo com os bens em nomes de ‘laranjas’, a polícia identificou que ele possui mais de 10 apartamentos, casas em Angra dos Reis, em Cabo Frio e outra em construção em Camboinhas, Niterói. Escutas telefônicas também mostraram que ele é dono de uma lancha e usava lava-jatos, estacionamentos e até mesmo uma escola do Nordeste para lavar dinheiro.

Três carros — um Montana, um BMW e um Corolla — foram apreendidos em sua casa. Um terceiro veículo, também Corolla, foi recolhido em outra casa. Quinze pessoas foram presas quinta-feira, inclusive Clenilson. Sete estão foragidas. Os PMs Alexandre Ferreira da Silva, que atuaria como segurança do chefe da quadrilha, e Edson Dias, que seria agiota, também foram presos. Vítimas da quadrilha ligaram para a 19ª DP, responsável pela operação, para agradecer pelas prisões.

Preso na ‘sala do pânico’

A polícia identificou um dos responsáveis por operar a ‘Sala do Medo’. Jonatas Silva Correa foi preso no local e fazia parte do grupo de homens chamados de ‘cobradores’, que ligavam para as vítimas do bando que não estavam em dia com as parcelas dos empréstimos e as ameaçavam, inclusive de morte.
O grupo agia em oito municípios — entre capital, Baixada e região metropolitana — cobrando taxas de até 48% para o pagamento das dívidas.

Escutas gravadas:

Suposto chefe de quadrilha fala com corretor sobre investimentos e revela alguns de seus bens.

CORRETOR: “Tudo bem, comandante. Eu vou ligar para ele e deixar na portaria como da outra vez. Outra coisa: estão investindo em alguma coisa?” .

CLENILSON: “Não, no momento está tudo parado”.

CORRETOR: “E o apartamento? Vem em cinco meses, quatro meses, seis meses?”.

CLENILSON: “Não, no momento, não. A não ser que seja alguma peça minha. Eu estou com sítio, lancha e uns carros aí”.

Agiota pressiona vítima para pagar dívida contraída após empréstimo com juros de 48%.

AGIOTA: “A senhora está há dois meses sem trazer a porcaria do dinheiro na m… do escritório e vai parar nessa p… com R$180? ”.

VÍTIMA: “Meu filho estava internado”.

AGIOTA: “F…! Se seu filho estava internado não fui eu que deixei ele no hospital. Eu não tenho culpa se a sua filha estava internada, se você estava internada. Problema seu e da sua família. E nem vem com desculpinha tentando amolecer meu coração porque não cola”.

AGIOTA: “A senhora pode pagar R$ 180 hoje e estou aguardando a senhora amanhã com R$140”.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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A presidenta Dilma Rousseff determinou a suspensão de contratos com organizações não governamentais (ONGs) e entidades privadas sem fins lucrativos até que seja avaliada a regularidade da execução do que foi contratado pelo governo até agora. Na semana passada, o ministro do Esporte, Orlando Silva, deixou o cargo após uma série de denúncias de egularidades com ONGs contratadas pelo pasta.

Segundo o Blog do Planalto, o decreto assinado pela presidenta, que deve ser publicado na edição de amanhã (31) do Diário Oficial da União, prevê ainda prazo de 30 dias para que a avaliação seja concluída por todos os órgãos e entidades da administração pública federal. A revisão vale para os contratos firmados até o dia 16 de setembro deste ano, mas a suspensão de repasses de verbas fica valendo para todas as entidades privadas sem fins lucrativos, bem como a proibição de novos contratos nesse período.

As únicas exceções previstas no decreto referem-se aos programas de proteção a pessoas ameaçadas; contratos firmados há mais de cinco anos com a mesma entidade e cujas prestações de contas tenham sempre sido aprovadas; e a transferências do Ministério da Saúde relacionadas ao pagamento de serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nesses casos, contudo, um parecer técnico assinado pelo ministro da pasta deverá atestar que o contrato se enquadra em situação de exceção.

Após concluída, a avaliação poderá resultar em dois caminhos: contratos cuja execução foi considerada regular poderão novamente receber verbas públicas autorizadas pelo ministro; ou contratos que apresentem problemas em sua execução serão mantidos em suspenso por 60 dias para que as organizações sejam comunicadas. Em tal situação, as entidades poderão sanar os problemas apontados na avaliação ou ressarcir os cofres públicos pelo dinheiro investido e mal utilizado. Essas entidades podem ainda ser consideradas impedidas de celebrar contratos ou parcerias com a União pelo ministro da pasta à qual prestavam serviços ou pelo chefe da Controladoria Geral da União (CGU).

Organizações sem fins lucrativos que não prestam corretamente contas dos contratos com o governo federal, que não cumprem o objetivo do contrato firmado, que praticam atos ilícitos na execução dos convênios ou que desviam injustificadamente os recursos pagos para outra finalidade poderão ser consideradas inadequadas na avaliação e sofrer as sanções previstas.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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O racha político entre a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e o vice-governador Robinson Faria (PSD) terá implicações diretas no pleito 2012. Analistas, pré-candidatos a prefeito de Natal e líderes partidários são unanimes ao afirmarem que a geografia do pleito sofreu uma mudança com o novo cenário surgido a partir da divisão política da governadora e do seu vice.

Se antes Robinson Faria, presidente estadual do PSD, afirmava que Rosalba Ciarlini era a líder do seu grupo político e coordenaria a sucessão da Prefeitura de Natal, hoje o vice-governador se coloca frontalmente contrário ao palanque da chefe do Executivo estadual. Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Antonio Spinelli, o pleito de 2012 será fundamental para o projeto político de Robinson Faria, que pretende disputar o Senado Federal. “Robinson Faria não tem uma penetração tão grande no eleitorado de Natal e buscará isso com a eleição do próximo ano”, analisa o professor.

Já o pré-candidato a prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT) alerta que a chegada de Robinson Faria na oposição não traz um fortalecimento maior, como poderia ocorrer, porque hoje os oposicionistas estão divididos. “Cada partido de oposição quer lançar seu candidato. A oposição hoje está dividida e fragilizada”, destaca.

Pré-candidato pelo PMDB, o deputado estadual Hermano Morais avalia que não haverá impedimento para os peemedebistas buscarem o apoio de Rosalba Ciarlini e Robinson Faria para a eleição na capital potiguar. “Não foi o PMDB que provocou esse racha. Lamento o que ocorreu, mas agora iremos conversar tanto com o DEM quanto com o PSD para discutir o apoio”, comenta.

Já o deputado estadual Agnelo Alves (PDT) é cauteloso ao avaliar as implicações políticas para 2012. “É preciso deixar a poeira baixar, vamos esperar a poeira sentar”, comenta.

Ponderação também é adotada pelo pré-candidato a prefeito de Natal pelo PT, deputado estadual Fernando Mineiro. Para ele, o mais evidente é que o PSD exclui das suas alianças o DEM e PMDB no pleito da capital potiguar.

Independente de serem mandatários, aspirantes a cargos públicos ou analistas políticos, eles acreditam numa maior concentração de esforço do vice-governador Robinson Faria na eleição de Natal, já que está na capital o maior colégio eleitoral do Estado, fundamental para qualquer político que planeja disputar uma eleição estadual, como é o caso do vice-governador.

Deputados preferem adotar a cautela

Os deputados são cautelosos ao avaliar os efeitos do racha entre o vice-governador Robinson Faria e a governadora Rosalba Ciarlini. O deputado estadual Agnelo Alves (PDT) observa que é preciso esperar um pouco para os efeitos começarem a ser observados.

“O pó ainda não sentou. Mas as implicações deverão ser grandes. A partir da eleição de 2012 saberemos quem são o que dominarão. A situação hoje é que Robinson rompeu, mas ainda não chegou na oposição”, destaca.

O deputado federal Felipe Maia (DEM) considera precipitado fazer análise sobre o que muda no pleito de 2012 a partir da divisão política no Governo. “Não tenho como dizer o que vai acontecer. Não sei qual postura o vice-governador vai adotar. Até o momento ele não se manifestou sobre quais projetos ou caminhos irá adotar em 2012″, comenta.

Partido não descarta composições
Embora o vice-governador Robinson Faria tenha rachado com o grupo da governadora Rosalba Ciarlini, os peessedistas se mostram ponderados para o pleito 2012 e preferem não descartar nenhuma aliança. O deputado federal Fábio Faria, único representante do PSD na bancada federal potiguar, observa que é precipitado tratar das coligações para o próximo ano.

“Condeno qualquer tipo de decisão antecipada. É precipitado falar sobre qualquer coisa, cada eleição é uma eleição. Tudo dependerá de como estarão os partidos nacionalmente e isso nós não sabemos ainda”, comenta o parlamentar. Para ele, é preciso esperar inclusive a definição da presidente Dilma Rousseff.

Mas pelo fato de ter rachado com o grupo da governadora Rosalba necessariamente o PSD estará em palanque distinto do DEM no pleito de 2012? “Tudo pode acontecer na eleição de 2012. A conjuntura nacional pode influenciar bastante no pleito. A aliança em São Paulo (onde está o prefeito Gilberto Kassab) pode influenciar também numa aliança em Natal”, responde Fábio Faria.

Especificamente com relação ao pleito 2012, Fábio Faria destaca que é preciso “montar uma chapa vencedora”. “Vamos fazer uma chapa que reúna o maior arco de aliança possível, seja um aliança importante, com projetos para serem apresentados a Natal”, observa. O deputado federal do PSD ressalta que o partido não irá impor, mas negociará diretamente na formação dessa aliança.

“Está tudo muito aberto. Não é descartado termos um candidato a prefeito de Natal”, comenta, acrescentando que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, deixou os líderes da legenda no Estado potiguar a vontade para fazer quaisquer coligações.  Fábio Faria ressalta que nenhuma candidatura está descartada, como também nenhuma está posta. “O Rio Grande do Norte tem muitos partidos fortes, mas é sabido que na capital prevalece os desempenhos pessoais”, completa.

Analista vê oposição desarticulada
O cientista político e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Antonio Spinelli avalia que a oposição está desarticulada, fato apontado pelas candidaturas próprias dos diversos partidos. Observando o perfil do vice-governador Robinso Faria, o professor observa que o líder do PSD não tem uma grande influência na capital potiguar, o que irá buscar reverter a partir do pleito de 2012.

“Ele vai tentar na região dele eleger o maior número de prefeitos, buscando se fortalecer no interior, e também tentará participar da eleição em Natal. Essa seria a forma de penetrar no colégio eleitoral que ele não tem tanta visibilidade”, diz Spinelli, lembrando que essa estratégia de procurar maior penetração na capital foi adotada pela governadora Rosalba Ciarlini, quando ainda era senadora e teve uma grande participação no pleito de 2008, apoiando a então candidata Micarla de Sousa. “Foi a forma que ela encontrou para tirar a marca de ser prefeita de Mossoró”, comenta.

Ao avaliar os candidatos ao pleito de 2012, o professor da UFRN observa que o ex-prefeito Carlos Eduardo aparece com grandes possibilidades devido ao fenômeno ocorrido no pleito de 2008, quando a população elegeu o “novo” com Micarla de Sousa e teve “grande decepção”. “O natural é que na eleição seguinte (em 2012) o eleitor procure votar em quem já conhece, por isso que os dois nomes que aparecem em primeiro nas pesquisas são do ex-prefeito Carlos Eduardo e da ex-governadora Wilma de Faria”, afirma.

E como Robinson Faria se portará na oposição ao lado de Wilma de Faria, de quem foi oposicionista no pleito de 2010? “As feridas políticas são as mais fáceis de serem curadas. A questão são as ambições de cada um”, responde, de pronto, o professor, fazendo referência ao projeto político do vice-governador que deseja ser candidato ao Senado em 2014.

Ao avaliar a situação do vice-governador Robinson Faria, que se coloca na oposição ao próprio Governo, Antonio Spinelli observa que a tendência é ocorrer com Faria o mesmo que foi feito a Micarla de Sousa quando foi vice-prefeita de Carlos Eduardo. “Ele vai ser isolado no Governo. Se isso pode lhe prejudicar ou não dependerá do desempenho do próprio Governo”, destaca.

Pré-candidatos reconhecem dispersão

Pré-candidato a prefeito de Natal pelo PDT, o ex-prefeito Carlos Eduardo acredita que o sistema governista lançará candidato único ao pleito da capital potiguar, enquanto que a oposição trará diversos postulantes ao Palácio Felipe Camarão. Para Carlos Eduardo, nesse cenário reside exatamente o principal problema da oposição.

“Nesse momento a oposição não tem projeto para 2014 e está dividida em 2012. Resta saber se o processo político vai unir a oposição que agora tem a presença do PSD. Se unir poderá ter vitórias importantes em 2012 e perspectivas boas para 2014″, avalia o presidente estadual do PDT.

Ele se mostra preocupado com a fragilidade demonstrada pela oposição na capital potiguar. “A oposição está dividida e enfraquecida porque cada partido tem seu candidato a prefeito”, destaca, enfatizando que o PSD está esvaziado no Rio Grande do Norte.

Carlos Eduardo confirmou que dirigentes da ala pedetista já conversaram sobre alianças para 2012 com representantes do PT, PC do B e PSD. “Vamos avançar com outros partidos para ver se tem condição de união”, comenta. O ex-prefeito de Natal chama atenção que o maior desejo do governo agora é “a oposição dividida”. “A oposição está enfraquecida e hoje vive mais dos erros do governo Rosalba do que do seu próprio trabalho”, avalia.

Carlos Eduardo vai mais além na análise e acredita que o sistema governista já fechou a chapa para 2014, com a reeleição de Rosalba Ciarlini, abrindo espaço para um vice do PR, do PMN ou do DEM e o PMDB indicando o candidato ao Senado. “As especulações indicam o nome de Henrique Eduardo Alves para o Senado. O governo vai procurar apoiar, em 2012, candidato do próprio sistema”, diz.

PMDB

O pré-candidato a prefeito pelo PMDB, o deputado estadual Hermano Morais, disse que lamenta o racha político entre Rosalba Ciarlini e Robinson Faria, mas afirma que o PMDB irá procurar o DEM e PSD. “O PMDB não tem divergência nem com um e nem com outro. O nosso partido não terá dificuldade de buscar o apoio dos dois”, destaca, chamando atenção para o papel no cenário estadual e nacional exercido pelo PSD.

PT

Já o pré-candidato a prefeito pelo PT, deputado estadual Fernando Mineiro é ponderado ao avaliar o racha político entre o vice-governador e a governadora. “É precipitado prever qualquer tipo de mudança. Minha primeira leitura é que Robinson Faria possivelmente não somará forças com o DEM e PMDB. Agora qual será a posição que ele (o PSD) venha a tomar é preciso esperar”, afirma.

Fernando Mineiro ressalta que o PT buscará todos os partidos que não tem pré-candidato a prefeito. “Podemos procurar o PSD. É precipitado avaliar o reflexo”, completa.

PSB

A ex-governadora Wilma de Faria, pré-candidata a prefeita de Natal pelo PSB, avalia que o ideal da oposição seria lançar um candidato único a prefeito de Natal. No entanto, ela pondera que o enfraquecimento é menor já que o pleito de Natal é decidido em dois turnos.

“O ideal era que todos da oposição estivessem unidos. Mas como temos dois turnos, o enfraquecimento é menor”, avalia.  A ex-governadora é cautelosa ao afirmar que não sabe o que poderá mudar após o racha político entre Robinson Faria e Rosalba Ciarlini.

“Depende muito do vice-governador Robinson Faria. Ele tem uma liderança no Agreste e também em Natal. Ele (Robinson Faria) será muito importante para fortalecer a oposição”, observa Wilma de Faria.

Questionada se buscará o apoio do PSD para o projeto político de 2012 do PSB, a ex-governador é enfática: “todo projeto político objetiva acima de tudo uma somação de esforços. Quero somar esforços e o apoio dele é muito importante”.

A ex-governadora enfatiza que a presença do vice-governador Robinson Faria na oposição se torna importante pelo trabalho realizado por ele no Estado. “A presença de Robinson Faria na oposição é muito importante não só em Natal, mas em todo Estado. A oposição fica mais forte”, completou.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
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A Delegacia de Polícia Federal em Altamira, no Estado do Pará, criada em 2005, meses após o assassinato de repercussão internacional da missionária Dorothy Stang, em Anapu, abrangido pela circunscrição da referida descentralizada, foi instalada com a particularidade de um efetivo formado por policiais federais recém-ingressados nos quadros da PF.

O que no primeiro momento poderia ser encarado como um entrave para o bom funcionamento da Delegacia, a inexperiência do corpo funcional tornou-se desafio a ser superado, que passou a impulsionar os novos policiais.

Motivados, dedicados, cheios de vontade e orgulhosos em participar de uma instituição policial eficiente e de resultados, com competência e profissionalismo, ajudaram a construir um ambiente de trabalho marcado pelo respeito entre os policiais, independente de cargos (agentes, delegados, escrivães e papiloscopistas).

Lá os profissionais sentiam prazer em ir para o trabalho. E mais: sentiam orgulho em mostrar para os colegas que por ali passavam em missão, como as coisas funcionavam bem, apesar da série de limitações materiais, constatadas numa visita realizada pela Fenapef, em 2008.

O clima favorável de trabalho, em pouco tempo, traduziu-se em resultados positivos. Várias operações policiais foram deflagradas, inclusive de repercussão nacional, dentre as quais as operações Ananias, Crash, Panacéia, Sinal Vermelho, Rastro de Lama, Esperança, dentre outras. Em 2008, o número de grandes operações realizadas pela Delegacia em Altamira foi superior ao da própria Superintendência Regional da PF no Pará.

Os dissabores enfrentados pelos policiais que passaram a residir em pequenas cidades, incrustadas no meio da selva amazônica, com infraestrutura precária, de difícil acesso e elevado custo de vida, eram compensados pela satisfação de se trabalhar num ambiente onde prevaleciam a urbanidade, o respeito e a mútua cooperação, cujos resultados institucionais foram inegáveis.

Tudo parecia muito bem, até o dia em que a delegada Patrícia Helena Shimada, que já era lotada na referida Delegacia, foi alçada à condição de chefe da unidade, no ano passado.

 A despeito dos indicadores de produtividade, ao assumir o comando, como se quisesse “reinventar a roda”, a delegada passou a agir como se todas as práticas anteriores estivessem equivocadas. Na pretensa missão de colocar a unidade no “rumo certo,” a delegada passou a adotar práticas dignas de regimes militares ditatoriais.

Tentativas de aplicar sanções disciplinares, sem o devido processo disciplinar e as garantias de ampla defesa e contraditório, ameaças a servidores, atitudes desrespeitosas e arrogantes com os subordinados, foram algumas das condutas que transformaram o outrora agradável ambiente de trabalho, em um verdadeiro calvário, para a maioria dos policiais federais lotados em Altamira.

Dentre as “modernas” práticas administrativas, certamente inspiradas na melhor doutrina de relações interpessoais de sua lavra, a nova chefe passou a “advertir” os escrivães, através de despachos exarados nos próprios autos de inquéritos policiais.

A falta de respeito e ética no tratamento dispensado pela dita autoridade policial aos seus subordinados chegou a tal ponto que passou a ser notada e comentada pelos servidores da Justiça Federal e do Ministério Público Federal, que têm acesso aos inquéritos policiais. As atitudes serviram tão somente para constranger e desvalorizar os profissionais atingidos.

Como se não bastasse, as ordens da delegada frequentemente passaram a ser acompanhadas de prazo para cumprimento, “sob pena de…..”. Sem falar na prática sumária de repreender policiais por escrito, como se a repreensão não fosse uma das modalidades de punição disciplinar, previstas na legislação que rege a carreira policial federal. Talvez ela ignore que a repudiável atitude já foi formalmente reprovada em recente parecer da própria Corregedoria Geral da Polícia Federal.

Por estas e tantas outras situações, o ambiente de trabalho da Delegacia de Altamira vem se tornando pesado e insuportável, com reflexos diretos na produtividade. Tem gerado também uma verdadeira “guerra de expedientes”, em que subordinados passaram a representar contra a superiora hierárquica.

Contudo, em vez de encaminhar as representações à Corregedoria da Superintendência Regional, em Belém, a delegada passou a instruí-las com as versões mais convenientes às suas atitudes tiranas. Esta é a forma que a gestora tem buscado legitimar suas práticas inaceitáveis de administrar, com opressão e desrespeito, servidores concursados e capacitados para servir a sociedade e à Polícia Federal.

Em setembro, na tentativa de restabelecer a paz na Delegacia, o Corregedor Regional da PF no Pará, se deslocou até Altamira, para ouvir os servidores, na ausência da chefe déspota, que se  encontra em licença médica. Na reunião convocada pelo Corregedor, todas as queixas foram apresentadas e contemporizadas.

Resta-nos torcer para que o aparente armistício celebrado pelo Corregedor, no auge do verdadeiro clima de guerra entre chefia e subordinados, resulte em mudanças imediatas deste nefasto quadro. E que venha uma chefia preparada para liderar e com a noção elementar de que a atividade policial é, por excelência, um trabalho de equipe.

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