quinta-feira, 26 de maio de 2011

Uma decisão de Pio acaba de complicar a situação do treinador Leandro Campos, no ABC. Contratado como volante, mas atuando desde o Estadual como lateral-direito, o jogador comunicou ao comandante alvinegro que prefere disputar uma vaga na equipe titular como lateral, não mais em sua outra posição, onde a concorrência aumentou muito com a chegada dos reforços para disputar a série B. Agora Pio vai concorrer com Samuel e Nêgo quem vai ganhar a preferência do técnico abecedista. Para o jogo de sábado, às 21 horas, diante do Salgueiro, o atual titular permanece na posição.

Leandro Campos não esconde que a decisão de Pio vai obrigar a comissão técnica a realizar um novo estudo sobre o elenco. “É um desejo do atleta e nós temos de respeitar. Ele apesar de improvisado teve um bom desempenho pelo setor, onde chegou a ser pretendido pelo Vasco. Agora optou por se fixar como lateral e vamos ficar com cinco atletas de bom quilate para as nossas laterais. Vamos ver como iremos administrar isso e ver se a posição de Pio é definitiva mesmo”, salientou o treinador.

A decisão tardia de Pio em se definir como lateral, fez a diretoria investir na contratação de três novos atletas para posição e agora o ABC pode ser obrigado a se desfazer de alguns deles, uma vez que a falta de oportunidade pode gerar algum tipo de insatisfação dentro do grupo.

No treino de ontem, Leandro Campos deu uma mostra da equipe que pretende mandar a campo no próximo sábado diante do Salgueiro. Alessandro Lopes será mesmo o companheiro de Tiago Garça na zaga, nas demais posições da defesa não ocorrerão modificações. Já no meio-campo, Makelelê deve ganhar a disputa com Ricardo Oliveira, que apesar de ter trabalho bem durante a semana, ainda apresenta um grau de atrofia na musculatura da perna direita, devido ao período de recuperação na cirurgia no joelho. No máximo, Oliveira deve ficar como opção para o segundo tempo. Mas essa preferência também deve recair sobre Bileu, que vinha atuando como titular até a rodada passada.

Ingressos

Assim com desencadeou uma campanha radical contra os cambistas, a diretoria do ABC agora pretende abrir outra frente de batalha contra os falsos estudantes. A meta também visa complicar ainda mais o desvio de ingressos para as mãos de pessoas não habilitadas para venda.

A empresa Sócio Mais Querido, que administra o setor, avisa que a partir do segundo jogo do clube em Natal, os ingressos adquiridos por estudantes sairão da bilheteria com o nome e o número da carteira escolar impressos. O mesmo será feito com os ingressos destinados aos idosos. No dia da partida essas duas categorias vão passar por um setor de triagem, onde terão de apresentar o documento, com foto, usado na aquisição do ingresso, antes de ser dirigido ao setor de catracas.

“Vai dar trabalho, vai gerar alguma reclamação, mas este é um serviço que deve ser feito”, disse Roberto Medeiros, representante da empresa em Natal.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011
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Quem desembarca no aeroporto internacional de Guarulhos (SP), o mais movimentado do Brasil, acredita que está sendo recebido por treinados agentes da Polícia Federal ao apresentar seus passaportes para entrar oficialmente no País. Mas, na verdade, os funcionários que checam e carimbam os documentos de viagem, fazem entrevistas de imigração e vistoriam bagagem em busca de drogas e armas são pessoas comuns, funcionários de uma empresa privada, sem nenhum treinamento ou compromisso com a defesa da soberania do Estado. O caso de Guarulhos não é uma exceção. Hoje, empresas prestadoras de serviço dominam o controle imigratório nos aeroportos, portos e até postos de fronteira. Parece óbvio, mas entregar a terceiros a fiscalização de quem entra ou sai do País é temerário e põe em risco à segurança nacional. A fiscalização deficiente é o paraíso para traficantes, imigrantes ilegais, criminosos procurados pela Interpol e terroristas, que podem transitar livremente por aqui sem que as autoridades de plantão tomem conhecimento. Enquanto o resto do mundo está debruçado em soluções para reforçar a segurança de suas fronteiras, por aqui o governo terceiriza o controle de passaportes e imigração nos aeroportos, uma atividade que nunca deveria ter saído das mãos da Polícia Federal. Hoje, estima-se que a PF gaste mais de R$ 100 milhões para transferir a responsabilidade a empresas privadas de um serviço que deveria ser executado por ela de acordo com a Constituição Brasileira.

O processo de loteamento de áreas estratégicas começou há quatro anos, sem que houvesse o necessário debate pelo Congresso, pela sociedade e contra parecer da própria Polícia Federal. Mais grave: era para ser uma solução provisória, como explica à ISTOÉ o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, hoje governador do Rio Grande do Sul. “Sempre defendi que isso só se justifica como provisoriedade”, afirma Genro. Mas, no Brasil, o que é provisório com frequência se torna permanente. O problema é que Tarso Genro havia sido informado das consequências da terceirização. Um relatório interno da PF, obtido por ISTOÉ, revela que repassar a empresas privadas tais atividades era a última das opções para reduzir o gargalo provocado pelo crescimento exponencial de passageiros. “É de longe a hipótese mais controversa de todas e esbarra em sérios problemas de ordem legal”, concluiu a delegada Silvane Mendes Gouvêa, presidente da comissão. Em ordem de prioridade, o MJ poderia aumentar o contingente policial ou passar o controle migratório para as mãos de servidores administrativos da própria PF. O documento, de 37 páginas, com cinco anexos, listou uma série de critérios que deveriam ser adotados em caso de se decidir pela terceirização. Por exemplo, para cada três terceirizados deveria haver ao menos um policial como supervisor.

 Mas o que se vê hoje é um descontrole total. Em alguns aeroportos, como o Tom Jobim, no Rio de Janeiro, cada agente da PF precisa monitorar o trabalho de até dez terceirizados. A média nos terminais terceirizados é de um policial para cada sete funcionários privados. Na Tríplice Fronteira, entre Paraguai e Argentina, há 103 funcionários terceirizados para um total de 15 agentes federais. Eles fiscalizam tudo que passa na Ponte Internacional da Amizade e na Ponte Tancredo Neves. Também são responsáveis pela emissão de passaporte e controle de raio X.

Os funcionários terceirizados geralmente encaram o serviço como um bico. Ganham pouco mais que um salário mínimo e logo que conseguem algo melhor abandonam o posto. “Trabalhei seis meses na Ultraseg, em Guarulhos. Foi meu primeiro emprego”, afirma Domênica Duarte, 22 anos. O resultado é uma rotatividade altíssima que impede a qualificação desses profissionais. E a maioria das terceirizadas são empresas de mão de obra de serviços gerais, algumas sem nenhuma relação com a atividade de controle migratório. “Essas empresas fecham contratos milionários, dão calote nos funcionários e depois desaparecem”, afirma o presidente do Sindicato dos Servidores da PF no Rio de Janeiro, Telmo Correa. Funcionários contaram à ISTOÉ que a PF paga às terceirizadas R$ 3,5 mil por contratado, mas o funcionário recebe no máximo R$ 800.

Uma dessas fornecedoras de mão de obra, a Visual Locação, Serviço e Construção Civil, dos sócios Herbert de Ávila e Alessandro Fagundes, simplesmente sumiu do mapa. No ano passado, a empresa embolsou mais de R$ 33 milhões do governo federal, dos quais R$ 2,7 milhões foram destinados ao pagamento de terceirizados no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio. ISTOÉ esteve em dois endereços registrados em nome da Visual em cidades-satélites de Brasília. O escritório num velho sobrado foi abandonado há dois meses. O corretor, que pediu anonimato, diz que Herbert “não pagou o aluguel, trocou os telefones e desapareceu”. A outra “sede” da empresa fica numa casa sem reboco em área da periferia que integra o programa de incentivos fiscais do governo do Distrito Federal. Apesar do muro alto que cerca o local, pode-se ver a placa com o nome da empresa jogada num canto, enferrujada. “Há duas semanas não aparece ninguém aí”, conta um vizinho.

O caso da Visual não é exceção. A Cosejes, responsável pela emissão de passaporte, embolsou o dinheiro do governo, deu calote nos funcionários e fechou as portas. “Um dia eles não depositaram. Ligamos para a empresa no Ceará e ninguém atendeu. Fomos à filial aqui em São Paulo e já não havia ninguém”, conta Alyne Scirre, 23 anos. A ex-funcionária diz que foi censurada pelos próprios policiais. “Diziam que a gente estava chorando por miséria e que o dono da Cosejes era delegado de polícia”, afirmou.

Outro problema é que as empresas terceirizadas não preenchem todos os postos de trabalho, explica o diretor de relações de trabalho da Federação Nacional de Policiais Federais (Fenapef), Francisco Sabino. “Em Guarulhos, a empresa que assumiu os guichês da PF em janeiro contratou 120 pessoas e não completou a cota de 200 funcionários. Por causa do acúmulo de trabalho e dos salários baixos, os terceirizados já pensam em entrar em greve”, afirma Sabino. Ele se refere à empresa SkyServ Locação de Mão de Obra Ltda., que assinou com a Superintendência da PF em São Paulo um contrato de R$ 5,9 milhões para prestar serviços neste ano. Quase a totalidade dessas empresas, aliás, torna-se alvo de ações trabalhistas na Justiça. Acontece que os funcionários são normalmente contratados como recepcionistas ou digitadores, mas acabam exercendo funções de polícia. “Éramos registrados na carteira como recepcionista. Mas fazíamos todo o trabalho de confecção do passaporte”, relata Alyne Scirre. E confirma que tinha acesso a informações particulares no banco de dados da PF. “O trabalho é todo feito por nós. Os policiais nem precisam assinar”, diz. Dentre as atividades que Alyne exercia estão o cadastramento dos dados do requerente no sistema da PF, o envio das informações para a Casa da Moeda e a verificação do documento final. Uma responsabilidade grande demais para quem dava os primeiros passos no mercado de trabalho.

Não bastassem os problemas de ordem prática, a terceirização também enfrenta impedimentos legais. O relatório da Polícia Federal, que passou pelas mãos de Tarso Genro e do então diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, é claro: “Em razão de a atividade de fiscalização migratória doutrinariamente enquadrar-se no exercício do poder de polícia pelo Estado, ela é por natureza indelegável. Com isso deve ser executada por servidores efetivos do Departamento de Polícia Federal.” O advogado Luiz Carlos Cavalcanti, especialista em direito constitucional e autor de um estudo sobre o caso, explica que o controle de imigração é um trabalho complexo e altamente especializado. “A habilitação do agente da PF se dá através do estudo de uma disciplina específica denominada polícia marítima aeroportuária e de fronteiras, inserida na grade curricular do curso de formação profissional. A matéria é eliminatória”, afirma Cavalcanti. Se o policial for reprovado nesta disciplina, é imediatamente desligado do curso de formação profissional e do concurso público para agente da PF. O especialista lembra que um policial federal é submetido a investigação social para entrar na carreira, segue regime disciplinar específico e responde a uma corregedoria. Já os terceirizados não estão submetidos a nenhum tipo de controle. “Ninguém sabe de onde vêm e para onde vão esses funcionários. Eles não têm nenhum comprometimento com a instituição”, afirma o diretor da Fenapef, Francisco Sabino.

 “Do jeito que está qualquer um pode embarcar com passaporte falso. Os terceirizados não sabem a diferença entre um imigrante ilegal, um padre ou uma mula do narcotráfico”, afirma Telmo Corrêa, do sindicato da PF. Agente por formação, ele lembra que a atividade de fiscalização imigratória foi confiada pela Constituição, em seu artigo 144, “de maneira inequívoca” ao Departamento de Polícia Federal. E acrescenta um dado surpreendente nessa complexa equação. Com a realização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, as empresas americanas e inglesas querem entrar no lugar das terceirizadas nacionais e assumir o controle da nossa imigração. “É um absurdo. Uma ameaça à nossa soberania”, avalia Telmo.

Esse risco não existiria se Genro e Corrêa tivessem escutado as recomendações da comissão da PF. A saída para os gargalos nos aeroportos era de fácil execução, como consta do relatório. “A contratação de mais policiais é a solução que resolve mais rapidamente o problema do controle migratório, uma vez que não haveria necessidade de mudança na rotina de fiscalização”, dizem os delegados no documento. A demanda por mais policiais seria atendida com recém-formados pela Academia Nacional de Polícia. Segundo levantamento da própria PF, bastaria a contratação de mais 181 policiais para atuar nos aeroportos do Rio e de São Paulo. Naquele ano, a academia formou 210 policiais, o suficiente para dar conta do recado. Entretanto, a cúpula da PF optou pelo caminho da terceirização, alegando que os policiais são uma mão de obra qualificada demais para a execução de serviços burocráticos.

 Fontes da PF afirmam que Luiz Fernando Corrêa pressionou a comissão para que concluísse o relatório a seu gosto. Em vários trechos do relatório da PF, é citada a informação de que “o Ministério da Justiça estaria disposto a fornecer recursos para a contratação de terceirizados”. Na conclusão, o grupo de delegados ressalta que “não sendo escolhida pela direção-geral a alternativa de dotar com lotação efetiva de policiais os aeroportos”, o problema só poderia ser resolvido com a terceirização. O documento subsidiou a medida provisória que alterou a Lei 8.745/93 e abriu as portas para a privatização do controle migratório. Procurado por ISTOÉ, o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não se manifestou sobre o assunto. Coube ao diretor-executivo da PF, Paulo de Tarso Teixeira, fazer a defesa da instituição. “Os policiais continuam sendo responsáveis pelo controle migratório. Não houve transferência de competência da PF para ninguém”, garante Teixeira. Transferência houve. O trabalho da PF nos aeroportos foi privatizado. Mas em nada aliviou o transtorno vivido pelos brasileiros no agendamento a perder de vista da emissão de passaporte e nas longas filas de desembarque de passageiros. 

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quinta-feira, 26 de maio de 2011
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O vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais Paulo Roberto Poloni Barreto participou  na tarde desta terça-feira, 24, da Audiência Pública realizada na Comissão de Segurança Pública da Câmara para discutir o Projeto de Lei 5799/09, do ex-deputado Capitão Assumção, que limita a carga horária dos policias a 6 horas diárias ou 30 horas semanais. Poloni destacou a importância de uma jornada de trabalho digna para os profissionais da segurança pública e criticou a política funcional do DPF no que diz respeito à jornada de trabalho dos policiais.

 Paulo Poloni iniciou sua participação falando sobre o stress ao qual é submetido cada policial federal. Segundo ele, atualmente os policiais têm regime de 24h por 72h, mas isso na prática não funciona. “Nossos colegas fazem seus plantões descansam 24h e depois disso já estão de sobreaviso”, revelou Poloni. O vice-presidente disse que neste ritmo de trabalho os policiais são acometidos de enfermidades. “Os policiais estão sendo tratados como máquinas e não somos máquinas”.

 Poloni aproveitou a oportunidade para criticar também a adoção do ponto eletrônico por parte do DPF. Segundo ele,  a função policial é atípica e não pode ser regulada de forma burocrática. “Além disso, muitos policiais que atuam além da jornada normal levam meses para ver suas horas compensadas”, ressaltou.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011
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O presidente da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, deputado Silvio Costa (PTB-PE), disse que deverá colocar em votação na próxima semana, no colegiado, o Projeto de Lei 1992/07, que institui o fundo de previdência complementar dos servidores públicos federais.

    A proposta foi uma das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) apresentadas durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, o governo defendeu que a aprovação do projeto reduziria os gastos da União com pensões e aposentadorias, abrindo espaço para o aumento dos investimentos públicos.

    Silvio Costa, que relata o projeto, disse que aguarda apenas informações de entidades de servidores públicos para fechar seu parecer. A proposta é criticada por diversos representantes de servidores.

    Terceirização – Na reunião desta quarta-feira (25), às 10 horas, a comissão deverá votar o Projeto de Lei 4330/04, que regulamenta a terceirização nos serviços público e privado. A proposta, do deputado Sandro Mabel (PR-GO), é uma das mais polêmicas entre as propostas trabalhistas que tramitam na Câmara.

    Íntegra da proposta:

    PL-4330/2004
   

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terça-feira, 24 de maio de 2011

A Direção Geral e as Diretorias Acadêmicas dos campi Natal-Central e Cidade Alta comunicam à comunidade acadêmica que, em função da greve dos motoristas dos ônibus, as aulas dos turnos matutino, vespertino e noturno estão suspensas nesta terça-feira (24).

O expediente administrativo irá até as 17 horas. As reuniões pedagógicas já agendadas estão confirmadas. Quanto aos próximos dias, o professor Enilson Araújo adiantou que ao final de cada dia, se fará um novo comunicado, de acordo com o andamento das negociações entre as partes.

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terça-feira, 24 de maio de 2011
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A greve generalizada das principais pastas da administração direta e indireta do Governo Estadual pôs em xeque a prestação de serviços básicos à população. Sem professores nas escolas públicas, o ano letivo está prejudicado. A paralisação dos policiais civis, aumenta os índices insegurança e a falta de investigação de crimes expõem a sociedade a danos que podem ser irreversíveis. No Detran, somente os estagiários e funcionários cedidos de outras secretarias mantém o atendimento. Cerca de 80% dos servidores da 1ª Unidade Regional de Tributação, em Natal, aderiram ao movimento grevista. São centenas de servidores parados e um motivo em comum: desvalorização.

Na situação na qual se encontra o Rio Grande do Norte neste momento, paralisações entre secretarias, não se pode afirmar qual é o mais ou menos importante serviço que deveria ser retomado com urgência. A falta de professores nas salas de aula, por exemplo, desencadeia o ócio no alunado. Sem ocupação, crianças e adolescentes ficam mais propícias a se envolver com as diversas vertentes da violência – drogas, crimes, delitos – que refletem diretamente no serviço dos policiais civis, que também estão em greve. O momento é,  de fato, crítico.

Segurança

Na Delegacia de Plantão na zona Sul, na manhã de ontem, 32 homens ocupavam uma cela de três metros quadrados. Homicidas, ladrões e traficantes de drogas, aguardavam transferência para algum dos presídios estaduais. Do lado de fora do cubículo quente e fétido, dois homens estavam algemados a uma motocicleta e a uma barra de ferro. “As circunstâncias falam por si. Delegacia não é presídio e a quantidade de presos acumulados aqui é inadmissível”, afirmou o diretor do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Erivan Fernandes.

Além da retirada dos detidos, os policiais civis cobram do Governo Estadual o cumprimento da Lei nº 417/2010 que garante aos escrivães e agentes civis  promoção linear e posterior aumento de salário. Eles solicitam, ainda, melhoria na alimentação e infraestrutura das celas em todo o estado. “Queremos a substituição dessa quentinha sebosa por vale-alimentação”, disse Erivan Fernandes. O sindicalista afirmou que o Governo Estadual concedeu um aumento aos delegados, que passaram a ganhar em média R$ 17 mil enquanto os salários dos agentes e escrivães permaneceu em R$ 2,5 mil.

Para a população, além da insegurança gerada pela greve dos policiais civis – responsáveis pelo registro de boletins de ocorrência e  investigação de crimes – a dificuldade em reportar um ato de violência ou um assassinato, se tornou mais complexa. Somente as diligências de flagrante delito estão sendo realizadas nas delegacias de plantão cujo efetivo de policiais civis foi reduzido a 30%. Quem precisa fazer um boletim de ocorrência, tem que se dirigir ao Quartel da Polícia Militar, na Avenida Rodrigues Alves, onde foi montada provisoriamente a Delegacia do Cidadão.

O atendimento é lento e exames de corpo de delito estão acumulados. Vítima de agressão no trânsito, o empresário Jorimar Lima de Sousa, perdeu quase todo o dia de ontem para registrar a ocorrência. Devido à paralisação, ele precisou se deslocar de Parnamirim para Tirol e reclamava do descaso do Governo do Estado em relação à segurança pública. Com hematomas espalhados pelo corpo e indignado pelo motivo torpe da agressão, ele afirmava: “A segurança pública não está funcionando”.
 Para Erivan Fernandes, a montagem de uma delegacia nas dependências da corporação da Polícia Militar é ilegal. “Só registrar o boletim de ocorrência não resolve. Precisa-se investigar o que foi registrado e quem faz isso é o policial civil”, alertou. Segundo ele, o Sinpol está disposto a negociar mas não irá ceder enquanto o Governo Estadual não quebrar o silêncio.

Detran

 Na sede do Detran, na Cidade da Esperança, a greve dos ônibus e a chuva impediram que o movimento fosse intenso na manhã de ontem. Os serviços na maioria dos setores estavam sendo realizados pelos funcionários cedidos de outras secretarias estaduais e pelos estagiários, cujo quantitativo não ultrapassa de 60 estudantes. No Setor de Atendimento de Veículos – onde são entregues documentos de licenciamento e onde é feito o atendimento ao usuário – dois estagiários e uma servidora cedida, realizavam os procedimentos na manhã de ontem.

No Setor de Habilitações, o serviço de digitalização e impressão de carteiras de motorista, que é terceirizado, era realizado normalmente. Os funcionários do Setor de Auditoria Externa e de Transferência de Veículos não haviam comparecido ao local de trabalho ontem. Nestes setores, são realizadas a alteração de endereço e comunicado de venda de veículos. Quem necessita utilizar estes serviços, precisará aguardar o final da paralisação.

De acordo com João Batista dos Santos, secretário do Sindicato dos Servidores da Administração Indireta (Sinai), a quantidade de serviços no órgão cresceu vertiginosamente nos últimos anos. “Na contramão disso, o Governo do Estado não investiu em melhorias na infraestrutura. Temos 282 aprovados no último concurso e até agora não foram convocados”, destacou João Batista. Os funcionários cobram melhores condições de trabalho e homologação do último concurso público.

Educação

  Com cerca de 93% do quadro de professores paralisados, o movimento grevista da educação estadual é o mais longo desta paralisação que atinge outros setores do Governo. A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte RN), Fátima Cardoso, afirmou que o Executivo Estadual silenciou. “Eles se calaram. Silêncio total. A greve, porém, vai continuar e vamos insistir em vista da equiparação dos nossos salários com vencimentos de outras categorias”, defendeu.

Tributação

 Na 1º Unidade Regional de Tributação (URT), em Natal, somente 20% do efetivo de burocratas – funcionários que fazem ao  atendimento ao contribuinte e apoio – estavam trabalhando ontem pela manhã. A preocupação do diretor da Unidade, Uberto da Fonseca e Silva Filho, é a respeito da quantidade de mercadorias que poderão ficar retidas nos depósitos das transportadoras como consequência do volume de notas fiscais acumuladas na URT.
 A principal reivindicação dos funcionários da Secretaria Estadual da Tributação (SET) gira em torno da implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, aprovado em Lei e que ainda não foi implantado pelo Executivo Estadual. “A melhor saída para quem depende dos serviços da SET é recorrer ao site da instituição”, sugeriu Uberto.

Redução de atendimento e indicativo de greve

  Além dos atendimentos nas delegacias, Detran e Secretaria Estadual de Tributação, a partir de hoje, os serviços prestados através das Centrais do Cidadão, também sofrerão redução. Além disso, os médicos lotados na Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) reafirmaram que o indicativo de greve a partir de 1º de junho está mantido.
 Os policiais militares enviaram uma nota ao Governo Estadual, na tarde de ontem, na qual solicitam o cumprimento de três pontos reivindicados pela categoria. As reivindicações são as seguintes: aprovação do novo Estatuto dos Militares Estaduais, a criação do Código de Ética e do subsídio financeiro.
 Com a implantação do subsídio, os vencimentos dos policiais militares passaria a ser de R$ 3.792,14 o que corresponde a 30% do salário de um coronel. No dia 18 de junho uma nova assembleia será realizada para que sejam analisadas as respostas do Governo em relação ao que foi reivindicado.
 
Posição do Governo

 A assessoria de imprensa do Governo Estadual reiterou que o posicionamento defendido pelo secretário chefe do Gabinete Civil Estadual, Paulo de Tasso Fernandes, desde que as greves se iniciaram permanece inalterado. O Executivo Estadual só negociará com os servidores quando as  paralisações acabarem e o serviço for retomado em todos os setores

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